25 de fevereiro de 2009

Escritório do Samba

Gente boa,

Faremos mais uma batucada neste sábado, dia 28 de fevereiro, em nosso Escritório do Samba.

Os tamborins começam a esquentar a partir das 14:00 horas.

Bar Escritório

Rua Júlio de Castilhos, 1110 - Belenzinho

Referências: esquina com Rua Fernandes Vieira, a duas quadras da estação de Metrô Belém.

Até lá!

Abraços!

13 de fevereiro de 2009

Camafeu, cadê Maria de São Pedro?

Dedicar-se ao samba às vezes pode parecer ingrato. Afinal, quantos negros pobres, pobres negros, ou simplesmente pobres ou negros já não morreram e ainda morrerão no desconhecimento e/ou esquecimento?

Ápio Patrocínio da Conceição é mais uma dessas figuras pouco conhecidas no mundo do samba.

O menino órfão, morador de rua, pobre, que trabalhou como engraxate, fundidor, vendedor de cadarço e estivador sai do anonimato para se tornar Camafeu de Oxóssi e ganhar alguma fama, ao se tornar proprietário da barraca de São Jorge, no velho Mercado Modelo e, posteriormente, de um renomado restaurante.

Foi exímio tocador de berimbau e freqüentador das rodas de samba de Salvador, na Bahia. Foi diretor das Escolas de Samba Gato Preto, Só Falta Você e Deixa Pra Lá, onde apresentava seus sambas.

Em sua barraca São Jorge, tocava seu berimbau e cantava músicas de capoeira, samba de roda e ijexá. Dessa forma, angariava mais clientes. O espaço era permeado pelo ritualismo, onde ele ensinava os mistérios da Bahia de todos os Santos.

Era cenário comum ver Camafeu no Mercado Modelo, saudando Oxóssi, cercado por seus orixás e pela população que visitava o local.

Na década de 60, cursou língua iorubá na Universidade Federal da Bahia, o que lhe rendeu um convite para participar do Primeiro Festival de Arte Negra do Senegal.

Camafeu foi citado em diversos livros de Jorge Amado, de quem tornou-se amigo íntimo, assim como em algumas canções, tais como “Camafeu”, de Martinho da Vila, que foi também gravada por Candeia, na qual se indaga:“ Camafeu, Cadê Maria de São Pedro ?” .

Gravou dois discos, onde deixou registrados preciosos cantos de capoeira, dos escravos e principalmente, parte da nossa história.

Em 1994, falece Ápio Patrocínio da Conceição, aos 78 anos. Desde então, o Mercado Modelo parece ter perdido um pedaço de seu encanto. Por lá já não se vêem mais a música, o canto, os ensinamentos e rituais de Camafeu.

Encerramos esta singela homenagem a esse grande representante de nossa cultura com a faixa “Moriô”, de seu disco “Berimbau da Bahia, bem como “Camafeu”, gravada por Candeia.

9 de fevereiro de 2009

Vou começar a aula!

Meu povo, mais um pouco de Jequitibá.
Essas são algumas partes da nossa roda do último sábado!



Próxima roda neste sábado (14/2)

Camaradas,

Neste sábado (dia 14/2), faremos mais uma roda de samba na Escola Nova Cultura. A bagunça começa a partir das 16:00 horas.

Aproveitem para conferir um pouco da remandiola que fizemos na Meirinha no mês passado.

Abraços!

Escola Nova Cultura
Rua Valdemar Dória, 163 - Belenzinho


As fotos do samba deste último sábado (7/02) também estão disponíveis em nosso álbum:

http://picasaweb.google.com/mairaoltra/JequibitaNoEscritorio#

5 de fevereiro de 2009

Entre umas e outras





Lírios ( Candeia )

Os lírios do campo
Vão morrendo, vão morrendo
Ou amor se desmanchando
E o chão se embrutecendo

Os lírios do campo vão morrendo
E o amor se desmanchando
E o chão se embrutecendo

Dê um sorriso
Dê um sorriso e dê uma flor
E muito amor, muito amor receberá
Quanta ironia há nesta gente
Suficiente, mas querem mais

Amigo, não deixe para amanhã
O bem que tens para fazer agora
Chegando a hora, vai prevalecer
O bem, o mal há de vencer

Procure esconder,
que o mundo é cheio de maldade
Bondade é o que, só vejo falsidade
A vida é um labirinto
De ilusão e falso prazer
Sem humildade não adianta viver

Semearás boa semente
E o que plantares colherás
Quanta ironia, não há pudor
Mata e se morre negando o amor

Amigo não deixe para amanhã
O bem que tens para fazer agora
Chegando a hora vais prevalecer
O bem o mal há de vencer.

Baixe

http://rapidshare.com/files/194211282/L_rios_Candeia.rar.html

27 de janeiro de 2009

O Samba e seus deuses (ou seriam “Zeuses”?)


Recentemente postamos uma gravação caseira do Aniceto do Império em nosso blog, que como todos sabem, parece ter provocado muita polêmica.

Sofremos críticas por, supostamente, não ter dado os créditos a quem merece, a brilhante Cristina Buarque, que teria sido responsável pela guarda deste e outros arquivos preciosos.

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que, se não citamos o nome de Cristina Buarque, não o fizemos por algumas boas razões: (i) não sabíamos que o arquivo provinha de seu acervo pessoal; (ii) infelizmente, jamais tivemos a felicidade e oportunidade de trocar sequer uma palavra com a mesma; e (iii) o arquivo não nos foi repassado por ela. Assim, entendo que mencionar o nome da sambista seria, no mínimo, pretensioso. No máximo, fantasioso.

Evidentemente, se foi Cristina a responsável pela difusão e manutenção de um arquivo como este, assim como a maior parte dos sambas inéditos cantados e gravados atualmente, que sabemos ou suspeitamos terem sido por ela transmitidos, merece todos os louros. E com ela, retratamo-nos, pedindo nossas sinceras desculpas. Em momento algum a intenção foi de deixar de honrar aqueles que realmente merecem.

O que me parece bastante curioso e contraditório é que a grande parte das críticas é feita por pessoas que sabemos terem construído seu arquivo com base no acervo de Cristina Buarque, Tinhorão, dentre outros. E estas mesmas pessoas, quando lhes parece interessante, ao postarem algo obtido por terceiros, não mencionam a fonte. Mais interessante ainda, foi constatar que quando postamos estes arquivos, diversas pessoas (quando eu digo diversas, quero me referir a mais de duas dúzias) nos abordaram com espanto, indagando: “como vocês conseguiram isso? Achei que quase ninguém tinha!”, ou ainda: “como vocês têm coragem de postar isso na internet?”.

Ora, isso só demonstra que o arquivo é mais do que conhecido por aqueles que estão envolvidos no samba. Só não havia ainda sido divulgado, entendo eu, por duas prováveis razões: (i) existe um grupo que pretende manipular e monopolizar a informação. Funcionam quase como uma seita secreta. No fundo, quase todo mundo, ou pelo menos os que compõem tal clã já possuem a obra. Mas não podem tornar explícito, divulgar na internet, afinal, se assim o fizerem, tudo perde a graça, eles perdem a sua importância e exclusividade. Pura hipocrisia.

A outra razão, que me parece concomitante à primeira, porém, que deve ser atribuída àqueles que possuem algum contato com o tal clã, muito embora ainda não tenham conseguido fazer parte do mesmo, é o temor. Sim, o medo de desagradar os deuses ou semideuses. “Ora, nós só obtivemos este áudio graças a eles, imaginem só se descobrem que repassamos a outros? Nos castigarão!”

Perdoem-me pela sinceridade, mas não posso nem quero concordar com este tipo de posição. Sonegar a informação é boicotar a cultura. Selecionar quando e o que divulgar é manipulação. E principalmente, é tratar o samba, maior expressão cultural da liberdade, com autoritarismo.

Sabotar e retaliar a divulgação da cultura é como o castigo dado a Prometeu por Zeus, por um dia ter ousado levar o fogo aos homens. Tenham a santa paciência, samba não é mitologia grega!
* Texto de Luciano Martins e Maíra Oltra

23 de janeiro de 2009

Samba é coisa séria!

Fico impressionada ao constatar como o número de pessoas que se auto-denominam ‘sambistas’ amantes do samba, apreciadores, simpatizantes etc aumenta progressivamente a cada dia que passa.

Na mesma proporção em que o samba vem se difundindo e finalmente caindo no gosto popular, inúmeras formações, grupos, bandas e projetos surgem levantando a bandeira do samba, sua preservação e adoração. E nesta corrente, também devo dizer que estamos incluídos.

O meu temor que parece, infelizmente, a cada dia mais tornar-se realidade, é que muitos destes, sejam os apreciadores, tocadores etc, esquecem-se da importância e do peso que é carregar a bandeira do samba.

Há os que achem que o samba resume-se a um gênero musical. Estes, eu posso afirmar que estão anos-luz de compreender o que é fazer, viver, comer e respirar o samba. Mas em razão de tal desconhecimento ou até mesmo opção pessoal, não podem nem merecem ser condenados.

Prefiro ater-me aos que parecem ter chegado perto de tal conhecimento. Digo isto, pois estes são aqueles que verdadeiramente tornam-se responsáveis pela imagem e compreensão do samba. No entanto, preferem desperdiçar tal oportunidade – seria desperdiçar ou quiçá enxovalhar o samba e aqueles que fazem um trabalho sério? – motivados por razões pessoais, vaidade, competição e tantos outros sentimentos mesquinhos que não o amor ao samba.

Saber viver o samba não é sentar na roda, cantar e tocar os sambas dos grandes mestres, levantar, ir para casa, dormir e acordar no dia seguinte para trabalhar. E ainda assim acreditar que desta forma estão fazendo grande contribuição.

Menos ainda, é preocupar-se e perder tempo com rivalidades, intrigas e disputas pessoais. Quem somos nós diante do samba? Qual é o papel de qualquer projeto, sambista e amante do samba diante da grandiosidade dos mestres e suas obras? E pior, por que razão haveríamos de achar que comparações e rixas são realmente relevantes e fazem alguma diferença para a nossa cultura popular?

A realidade é que nem sempre as pessoas têm consciência de que somos meros “instrumentos”, representantes de um movimento social, cultural e ideológico, reitere-se, que não foi por nenhum de nós iniciado. No máximo, poderá ser por um de nós difundido e mantido. E é aí que entra a tal responsabilidade que mencionei no início.

Aqueles que optam por desempenhar esse papel devem estar cientes de que o prazer e o deleite de mergulhar em obras como as de João da Baiana, Silas de Oliveira, Manacéa, Chico Santana, Paulo da Portela, dentre tantos outros, traz o dever diretamente proporcional de honrar e louvar aqueles que realmente fizeram alguma coisa pelo samba.

Lembrem-se do Mestre Candeia, que já dizia: “pra cantar samba, se precisa muito mais’’.